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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Com qual idade devo colocar meu filho na aula de música?



Praticamente todo o início de ano encontro alguém que faz a tal pergunta: Com qual idade devo colocar meu filho na aula de música? Bom, a resposta a princípio não parece ajudar muito: Depende!



Hoje escrevo este post muito mais na perspectiva de professora de música do que de mãe ou futura mamãe. Há alguns dias venho pensando em escrever algo que seja do interesse de mamães com bebês já nascidos e um pouquinho maiores. Fiquei pensando em um tema, surgiram muitos, mas pensei que talvez este possa te ajudar.

Uma grande parte dos pais e mães, quando pensa em aula de música já imagina a prática de um instrumento. Pensa em seu pequeno (seja qual for a idade) sentadinho com um violão na mão, ou quem sabe em frente a um piano, os dedinhos ágeis tocando “Parabéns pra Você” ou outra música.

É importante começar lembrando que o estudo de música não está necessariamente ligado à prática de um instrumento musical específico. Quando pensamos em aula de música como um processo de familiarização com este tipo de arte, tornamos as possibilidades muito mais abrangentes e podemos iniciar muito mais cedo.

Já comentamos em posts anteriores que a partir do quinto mês de gestação seu bebê já pode ouvir os sons. Ele já tem memória musical e responde ao que ouve através de diversos movimentos. Depois de nascer, não é muito diferente. Assim, ele está apto a aprender música desde as primeiras horas de vida. É claro que não recomendo a ninguém que matricule seu filho recém-nascido em uma escola de música. Nesse período, os pais devem se responsabilizar por esse desenvolvimento musical.

Mas assim que o seu bebê já consegue sentar e manipular objetos ele está pronto para começar as aulas de música. Algumas escolas recebem bebês a partir de seis meses, outras a partir de um ano para aulas de Musicalização Infantil. Nestas aulas, através de músicas e o contato com diversos instrumentos, o bebê vai desenvolver suas habilidades musicais, o canto e também outros aspectos importantes como a afetividade, a socialização e a coordenação motora.

Talvez alguns pais não reconheçam a importância destas aulas. Já ouvi alguns que acham que a professora enrola e só fica cantando. Te garanto uma coisa: a diferença entre crianças que começaram cedo o curso de Musicalização Infantil e crianças que iniciaram um pouquinho depois já direto no instrumento é gritante! A forma de interagir com a música, de criar, experimentar e interpretar dessas crianças musicalizadas faz com que, quando iniciem um instrumento, o seu desenvolvimento seja muito mais rápido. E mesmo que você não queira que o seu filho de torne músico profissional (e nem é essa a intenção da aula de música, viu!) o desenvolvimento dessas crianças, a cultura que elas tem e como se relacionam com os colegas também é notavelmente diferente!

E para aprender instrumento, qual a melhor idade?


Ao colocar seu filho pra estudar um instrumento, considere primeiro algumas questões:

- Quem gosta do instrumento? A criança ou os pais?
 
Sempre ouço mães dizendo que vão por os filhos pra estudar piano porque este era o sonho delas. Ops! Será que é o sonho do seu filho, também? Desde pequenos desenvolvemos o gosto por timbres específicos. As vezes seu filho simplesmente não gosta do som do tal instrumento. Forçar vai tornar o aprendizado uma chatice!

- Que tipos de habilidades o instrumento exige?

Alguns instrumentos exigem que a criança tenha já um avançado desenvolvimento psicomotor, outros vão exigir um bocado dos pulmões. E ainda alguns são tocados em posições nada confortáveis. Antes de matricular seu filho, converse com o professor do instrumento, peça pra ele deixar seu o pequeno experimentar um pouco. E depois, não esqueça de perguntar para a criança o que ela achou e como se sentiu.

- Se ainda não é a hora do seu filho aprender o instrumento que vocês pensavam, existe a possibilidade dele iniciar em outro instrumento parecido. Tenha certeza de que não será tempo perdido!

Se o instrumento for de sopro, talvez a flauta doce seja uma boa alternativa. O tamanho do instrumento se adapta melhor na mãozinha da criança e o peso ela é capaz de suportar. Mais tarde, se ela quiser optar por outro instrumento de sopro, como saxofone, flauta transversal ou trompete, por exemplo, já terá adquirido várias das habilidades necessárias.

Para instrumentos de cordas (violino, viola erudita, violoncelo) recomendo que a iniciação seja feita no violino (menor e mais leve). Mas converse antes com o professor, porque mesmo neste instrumento, é preciso que a criança já tenha desenvolvido certas habilidades para iniciar o instrumento.

Para instrumentos de tecla (teclado, piano) não vejo grandes problemas. Eu comecei a estudar piano aos três anos de idade, mas recomendo aos alunos que comecem talvez um aninho mais tarde.

Instrumentos como violão e bateria também podem ser iniciados bem cedo, desde que você tenha um instrumento do tamanho correto.

- Considere a maturidade, capacidade de concentração e desenvolvimento motor da criança.

Seu filho já consegue se concentrar em atividades por um certo período de tempo? Ele consegue ficar sentadinho prestando a atenção quando alguém fala? Geralmente costumamos indicar que os pais iniciem o instrumento por volta dos quatro ou cinco anos por causa desses fatores. Mas, novamente, isso não é uma regra! Cada criança se desenvolve de forma diferente.

- Não force seu filho a ser um gênio musical. Respeite seu desenvolvimento e não fique comparando com outras crianças.

Terminei a primeira aula de um garotinho de quatro anos de idade. Na saída, o pai me pergunta: “E aí, professora, sei que meu filho é muito inteligente, ele vai ser assim, tipo Mozart?”. Na hora dei uma risadinha e nem respondi. Pra ser sincera, por mais que goste de música e queira muito que minha filha também goste e toque um instrumento, não gostaria que ela fosse “tipo Mozart”. O coitado sofreu um monte por ser prodígio. Seu talento foi explorado pelo pai, cresceu desequilibrado, com o psicológico todo abalado. Morreu cedo, cheio de doenças e problemas porque aos dois anos de idade já rodava a Europa pra fazer concertos. Quer isso pro seu filho, eu hein!

 
Sei por experiência própria que aprender música é muito bom, e faz uma grande diferença no desenvolvimento da criança. Mesmo que o seu filho depois não queria mais tocar, ou que ele não se torne o músico que você pensou que ele seria, tenha certeza de que as experiências e habilidades que ele desenvolveu vão fazer bastante diferença ao longo da vida, mesmo quando ele já for adulto. Que tal dar essa oportunidade para o seu bebê (seja novinho ou crescidinho)?

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Com qual idade devo colocar meu filho na aula de música?

Postado por Lucila Andrade às 11:56


Praticamente todo o início de ano encontro alguém que faz a tal pergunta: Com qual idade devo colocar meu filho na aula de música? Bom, a resposta a princípio não parece ajudar muito: Depende!



Hoje escrevo este post muito mais na perspectiva de professora de música do que de mãe ou futura mamãe. Há alguns dias venho pensando em escrever algo que seja do interesse de mamães com bebês já nascidos e um pouquinho maiores. Fiquei pensando em um tema, surgiram muitos, mas pensei que talvez este possa te ajudar.

Uma grande parte dos pais e mães, quando pensa em aula de música já imagina a prática de um instrumento. Pensa em seu pequeno (seja qual for a idade) sentadinho com um violão na mão, ou quem sabe em frente a um piano, os dedinhos ágeis tocando “Parabéns pra Você” ou outra música.

É importante começar lembrando que o estudo de música não está necessariamente ligado à prática de um instrumento musical específico. Quando pensamos em aula de música como um processo de familiarização com este tipo de arte, tornamos as possibilidades muito mais abrangentes e podemos iniciar muito mais cedo.

Já comentamos em posts anteriores que a partir do quinto mês de gestação seu bebê já pode ouvir os sons. Ele já tem memória musical e responde ao que ouve através de diversos movimentos. Depois de nascer, não é muito diferente. Assim, ele está apto a aprender música desde as primeiras horas de vida. É claro que não recomendo a ninguém que matricule seu filho recém-nascido em uma escola de música. Nesse período, os pais devem se responsabilizar por esse desenvolvimento musical.

Mas assim que o seu bebê já consegue sentar e manipular objetos ele está pronto para começar as aulas de música. Algumas escolas recebem bebês a partir de seis meses, outras a partir de um ano para aulas de Musicalização Infantil. Nestas aulas, através de músicas e o contato com diversos instrumentos, o bebê vai desenvolver suas habilidades musicais, o canto e também outros aspectos importantes como a afetividade, a socialização e a coordenação motora.

Talvez alguns pais não reconheçam a importância destas aulas. Já ouvi alguns que acham que a professora enrola e só fica cantando. Te garanto uma coisa: a diferença entre crianças que começaram cedo o curso de Musicalização Infantil e crianças que iniciaram um pouquinho depois já direto no instrumento é gritante! A forma de interagir com a música, de criar, experimentar e interpretar dessas crianças musicalizadas faz com que, quando iniciem um instrumento, o seu desenvolvimento seja muito mais rápido. E mesmo que você não queira que o seu filho de torne músico profissional (e nem é essa a intenção da aula de música, viu!) o desenvolvimento dessas crianças, a cultura que elas tem e como se relacionam com os colegas também é notavelmente diferente!

E para aprender instrumento, qual a melhor idade?


Ao colocar seu filho pra estudar um instrumento, considere primeiro algumas questões:

- Quem gosta do instrumento? A criança ou os pais?
 
Sempre ouço mães dizendo que vão por os filhos pra estudar piano porque este era o sonho delas. Ops! Será que é o sonho do seu filho, também? Desde pequenos desenvolvemos o gosto por timbres específicos. As vezes seu filho simplesmente não gosta do som do tal instrumento. Forçar vai tornar o aprendizado uma chatice!

- Que tipos de habilidades o instrumento exige?

Alguns instrumentos exigem que a criança tenha já um avançado desenvolvimento psicomotor, outros vão exigir um bocado dos pulmões. E ainda alguns são tocados em posições nada confortáveis. Antes de matricular seu filho, converse com o professor do instrumento, peça pra ele deixar seu o pequeno experimentar um pouco. E depois, não esqueça de perguntar para a criança o que ela achou e como se sentiu.

- Se ainda não é a hora do seu filho aprender o instrumento que vocês pensavam, existe a possibilidade dele iniciar em outro instrumento parecido. Tenha certeza de que não será tempo perdido!

Se o instrumento for de sopro, talvez a flauta doce seja uma boa alternativa. O tamanho do instrumento se adapta melhor na mãozinha da criança e o peso ela é capaz de suportar. Mais tarde, se ela quiser optar por outro instrumento de sopro, como saxofone, flauta transversal ou trompete, por exemplo, já terá adquirido várias das habilidades necessárias.

Para instrumentos de cordas (violino, viola erudita, violoncelo) recomendo que a iniciação seja feita no violino (menor e mais leve). Mas converse antes com o professor, porque mesmo neste instrumento, é preciso que a criança já tenha desenvolvido certas habilidades para iniciar o instrumento.

Para instrumentos de tecla (teclado, piano) não vejo grandes problemas. Eu comecei a estudar piano aos três anos de idade, mas recomendo aos alunos que comecem talvez um aninho mais tarde.

Instrumentos como violão e bateria também podem ser iniciados bem cedo, desde que você tenha um instrumento do tamanho correto.

- Considere a maturidade, capacidade de concentração e desenvolvimento motor da criança.

Seu filho já consegue se concentrar em atividades por um certo período de tempo? Ele consegue ficar sentadinho prestando a atenção quando alguém fala? Geralmente costumamos indicar que os pais iniciem o instrumento por volta dos quatro ou cinco anos por causa desses fatores. Mas, novamente, isso não é uma regra! Cada criança se desenvolve de forma diferente.

- Não force seu filho a ser um gênio musical. Respeite seu desenvolvimento e não fique comparando com outras crianças.

Terminei a primeira aula de um garotinho de quatro anos de idade. Na saída, o pai me pergunta: “E aí, professora, sei que meu filho é muito inteligente, ele vai ser assim, tipo Mozart?”. Na hora dei uma risadinha e nem respondi. Pra ser sincera, por mais que goste de música e queira muito que minha filha também goste e toque um instrumento, não gostaria que ela fosse “tipo Mozart”. O coitado sofreu um monte por ser prodígio. Seu talento foi explorado pelo pai, cresceu desequilibrado, com o psicológico todo abalado. Morreu cedo, cheio de doenças e problemas porque aos dois anos de idade já rodava a Europa pra fazer concertos. Quer isso pro seu filho, eu hein!

 
Sei por experiência própria que aprender música é muito bom, e faz uma grande diferença no desenvolvimento da criança. Mesmo que o seu filho depois não queria mais tocar, ou que ele não se torne o músico que você pensou que ele seria, tenha certeza de que as experiências e habilidades que ele desenvolveu vão fazer bastante diferença ao longo da vida, mesmo quando ele já for adulto. Que tal dar essa oportunidade para o seu bebê (seja novinho ou crescidinho)?

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